Pilares Metodológicos

 

Nossa metodologia é sustentada por três pilares:

1. O território!

O primeiro pilar metodológico é o embasamento territorial, ou seja, o conhecimento do lugar em que pretendemos atuar.

O território, conforme o compreendemos, é o território usado por pessoas, empresas, instituições, organizações, estados, ou seja, o território é de todos os seus habitantes. Nesta compreensão nos baseamos em Milton Santos quando diz que:

é o uso do território, e não o território em si mesmo, que faz dele objeto da análise social. (SANTOS, Milton. O retorno do território. OSAL: Observatorio Social de América Latina. Ano VI, nº 16. Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 255)

Considerar o território usado significa considerar tudo o que há nele como elemento importante para análise. E isso pressupõe conhecer serviços, pessoas, projetos, histórias, problemas, fluxos e interlocuções de cada lugar para o planejamento das ações interventivas.

Portanto, o cerne deste pilar metodológico é entender e propôr as políticas públicas a partir do próprio território, e não a partir das políticas setoriais. Nem sempre o problema de uma política social está nela mesma. Às vezes o problema está em outro lugar: e é o território quem nos informa disso.

 

2. Trabalhamos de modo artesanal!

O modo como atuamos prevê a utilização de uma metodologia participativa, dinâmica e de construção de conhecimento e reflexão conjunta, por meio de reuniões, rodas de conversa, exposições teóricas, discussões de caso, dinâmicas em grupos, oficinas, palestras, seminários, pesquisas, relatórios analíticos e/ou outras propostas que surgirem conforme a necessidade. Este pilar metodológico diz respeito então, independente do tipo de intervenção elegida, ao trabalho conjunto e existencial, onde todos se colocam, afetam e são afetados!

Para isso, a comunicação é um tema central e nos baseamos em Hannah Arendt para compreender nossa necessidade de comunicação, fala, discussão e reflexão:

A fala e a ação /…/ são os modos como os seres humanos se mostram uns aos outros, não, na verdade, como objetos físicos, mas qua homens. Essa aparência, diferente da mera existência corporal, repousa na iniciativa, mas é uma iniciativa de que nenhum ser humano pode eximir-se se quiser continuar sendo humano. /…/ Uma vida sem fala e sem ação é literalmente morta para o mundo. (ARENDT, Hannah. A Condição Humana. 10ª edição, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009)

 

3. Pesquisa-ação existencial!

Na SoisUno os consultores não são neutros, mas trabalham como agentes implicados nas situações e nos encontros, dando sugestões, propondo, sinalizando pontos positivos e os a serem melhorados em cada lugar, e contribuindo com exemplos de suas experiências de trabalho.

Nos apoiamos em René Barbier, quando diz que a pesquisa-ação existencial

Expressar-se-á antes como uma arte de rigor clínico, desenvolvida coletivamente, com o objetivo de uma adaptação relativa de si ao mundo. /…/ Uma arte: se trata de aplicar faculdades de abordagem da realidade que pertencem aos domínios da intuição, da criação e da improvisação, no sentido da ambivalência e da ambiguidade, em relação ao desconhecido, à sensibilidade e à empatia, assim como à congruência em relação ao Conhecimento não-encontrável ou “velado” em última instância, como o é o real. De rigor clínico: rigor do quadro simbólico no qual a expressão do imaginário e o desdobramento da implicação vão poder se produzir. Rigor da avaliação permanente da ação /…/. Rigor dos campos conceituais e teóricos /…/. Rigor da implicação dialética do pesquisador /…/. Rigor para manter, custe o que custar, a tríplice escuta-ação (científica, filosófica e mitopoética) /…/. Desenvolvida coletivamente: não há pesquisa-ação sem participação coletiva. /…/ É o reconhecimento de outrem como sujeito de desejo, de estratégia, de intencionalidade, de possibilidade solidária. /…/ Com o objetivo da adaptação relativa de si ao mundo: /…/ o objeto final da pesquisa-ação existencial reside em uma mudança de atitude do sujeito (indivíduo ou grupo) em relação à realidade que se impõe em última instância /…/. (BARBIER, R. A pesquisa-ação. Brasília: Líber Livro Editora: 2007, p. 66 – 73)

 

Estes são os pilares nosso trabalho para auxiliar equipes, gestores e pessoas a desenvolverem, aprimorarem, criarem ou discutirem suas práticas profissionais e metodológicas no trabalho social.

Trabalhamos por acreditar na força do território e na diminuição das escalas entre as esferas políticas e as esferas sociais.